sábado, 22 de agosto de 2009

A Cultura Negra é reduzida à religião afro-brasileira


Em Porto Alegre/RS, no Auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, ocorreu a 1ª Edição do Fórum de Gestores do RS - Lei 10639/03
O Deputado Carrion, do PC do B, distribuiu publicação Estatuto Estadual da Igualdade Racial, buscando "construir um grande debate contra o racismo, a discriminação e a intolerância racial" e a seção foi presidida pelo Deputado Mano Changes, Presidente da Comissão de Educação do Legislativo Gaúcho.
Demais autoridades presentes, inclusive a Sra. Marisa, a Secretária de Educação do RS pôde se dirigir aos presentes.
A Lei 10639/03 " estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira" e no parágrafo 1º do art. 26-A temos que "O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil."
Contudo vem ocorrendo algo estranho quando se trata da cultura negra, isto é, ocorre um reducionismo e uma estranha confusão com a religião afro-brasileira.
Neste evento ocorreram defesas de que nas escolas deveriam ensinar a religião afro-brasileira, a umbanda, quimbanda, candomblé. Houve presença de um Pai de Santo num culto religioso afro-brasileiro, onde todos deveriam se levantar e reverenciar. Representantes da Cultura Negra presentes, defenderam que o ensino da cultura negra nas escolas públicas e privadas, tivesse como base o ensino da Religião Afro-Brasileira.
Noutro evento educacional em cidade da Grande Porto Alegre há cerca de um ano, houve uma seção de umbanda representando a cultura negra, com manifestações ritualísticas espirituais.
Fiz breve pesquisa na internet e não vi, em nenhuma delas, o reducionismo da Cultura Negra à questão religiosa.
Essa ansiedade me parece estranha, pois nas defesas da relegião afro como representação maior da cultura negra, são relacionados o racismo, e tudo vira oportunismo.

A Constituição Federal de 1988 diz no art. 5º, dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos que "VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;" também dia que "VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;"
Cresci sabendo que a Cultura Negra é ampla, rica e influente. A história é rica, bela e modificadora dos nossos costumes, que recebem influência de várias outras culturas. O banho diário aprendemos com os índios, a sexo e sua forma, aprenderam com os negros, a nossa culinária tem várias cozinhas à mesa de qualquer familia de qualquer origem étnica. A música pop tem base negra, o próprio rock and roll tem, em todo mundo.
Qual será o motivo que leva no RS, a confundirem a religião afro com toda uma cultura maior com clara influência para todos os brasileiros? A religião é parte dessa cultura, mas não a própria, ou não podemos ser negros se não formos seguidores da religião negra? E se não formos seguidores da religião negra, somos racistas, porque as demais religiões são de brancos? Nas escolas públicas os rituais das religiões afro serão praticados como sinônimo da cultura afro ou para angariar adeptos? Os pais tolerarão que seus filhos pratiquem uma crença que não é a mesma que ensinam em casa ou até isso a escola terá que definir para as crianças?
Soa muito estranho tudo isso, soa preocupante e soa oportunismo, soa fanatismo.
A Revista Raça Brasil, que não sei se existe ainda, que era para a beleza negra, enaltecimento dos aspectos culturais e de sucessos dos negros vendeu mais aqui no RS do que na Bahia. Temos, talvez, mais Pais de Santo brancos do que Negros, ao menos é o que vemos em programas de televisão. Ah! Os pais de santos brancos tem mais dinheiro do que os negros por isso podem pagar espaços na televisão e em outras mídias? De que racismos, diferenças sociais e culturais estamos falando mesmo?
Temos Padres, Pastores Evangélicos, Muçulmanos, Judeus, budistas negros. Será que todos estes renegam a sua cultura que se expressa ainda na família, por não serem da umbanda, candomblé e afins?
Se alguém ainda tem dúvidas sobre do que se trata a cultura negra, recomendo Cultura negra e educação, Culturanegra.com.br e, pesquisando, verá que essa cultura é, e vai muito além do que a religião.
Mas o que esperar de políticos querendo votos, e de um deputado presidente da comissão de educação da assembléia legislativa do rs (tudo com letra minúscula mesmo) que escreveu uma letra e canta uma música de amor à maconha?"BASEADO FININHO FECHADO COM CARINHO/KAYA VIOLENTA EU SOU UM FÃ DO VERDINHO/DUAS HORAS NO BANHEIRO CARTEIRINHA E PILÃO/ACABEI COM A MINHA CABEÇA POIS FUMEI UM DOUBLELÃO. Leia toda letra. ?

Como podem pessoas com responsabilidade com a causa dos negros, com o banimento da discriminação e o preconceito racial e cultural dos negros reduzirem a cultura afro-brasileira e sua história a um terreiro?

Tratar a religião afro-brasileira como sinônimo da cultura negra, obrigar um público, num espaço público, a participar de uma seção de religião que não é a sua ou cujo espaço não deveria promover por ser público, reduzir a cultura negra à aspectos da religião afro é pobre, eleitoreiro, demagogia e um desrespeito à brava e rica história dos negros no Brasil, com impactantes influências na cultura de cada um dos brasileiros, inclusive na de um negro como eu.









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