quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Universitário confessa ter matado professor em BH, diz polícia



As notícias de violência no ambiente escolar não são mais novidade. A cada dia escutamos, lemos, ficamos sabendo de mais um caso ou vários de violência entre alunos, de alunos contra os professores, de professor contra aluno, crimes e mais crimes num ambiente criado para o desenvolvimento positivo dos seres humanos através do conhecimento, da cultura e da esperança.
Por vezes digo a quem me escuta: A Escola deve ser uma ilha, onde podemos deixar fora dela todas as mazelas e aproveitar aqueles momentos, muitos voluntários que são, para dedicar-se ao aprendizado, ao convívio social, aprendendo o que se tem de melhor.
Porém as notícias de violência se sucedem.  Ontem noticiaram em rede nacional a morte de um professor de 39 anos, esfaqueado por um aluno numa escola privada de Belo Horizonte.
Ontem fora agredida quase à morte uma pedadoga de uma escola de Porto Alegre, cujos destaques das notícias estão logo abaixo.

Ontem no Programa da Rede Globo "Profissão Repórter" a reportagem foi "Alunos e Professores enfrentam dificuldades em salas de aula" (clique para ver no site da Globo), mostrando professores em quadro depressivo, escolas públicas despreparadas, alunos mesmo diante das câmeras em completo desrespeito ao ambiente escolar, a seus colegas e especialmente aos seus professores.

Porém qual a origem de tudo isto? Como poderemos com coragem enfrentar esta questão?
Várias opiniões são fáceis e mais fácil ainda é tratar a questão como se fosse simples deseducação daqueles jovens, as drogas que entorpeceram o aluno assassino, ou o aluno que surtou, enfim, uma dedicação demasiada ao fato e pouca dedicação as suas origens.
Quando existe dedicação as causas, ainda temos que passar por um caminho de engambelação, pois tudo é tratado de forma a esconder as verdadeiras origens destes atos, pois se busca no acaso, na fantasia, mediante o infortúnio os motivos, ajudando assim a afastar de uma análise que deve ir às entranhas, à escuridão para de lá se ter a chance de sair com a vitória.


Penso que esta análise deve passar pela estrutura capitalista do ensino, que dedica-se a formar mão de obra e não cidadãos que forçosamente, nesta condição, serão ótima mão de obra, melhor do que hoje.
Ocorre que os Professores são cada vez mais tratados como empregados de segunda ou terceira categoria. Seus salários na iniciativa privada e em algumas esferas públicas são vergonhosos. O desrespeito que as empresas tem com estes profissionais beira a covardia. 
Chaplin disse uma vez: "Não sois máquinas. Homens é quem sois". Pois os professores não são operários, são professores, e nisto não vai qualquer desrepeito aos operários, oprimidos desde que surgiu a exploração do homem. Porém as empresas, instituições, alguns governos com o discurso da "qualidade e produtividade", um discurso enganador, pois se prestam a dedicar-se apenas à produtividade, acham, por exemplo, um absurdo, muito caro, um professor corrigir prova no horário de aula, trabalho que deve fazer em casa, assim determinam que antes da prova deverá haver revisão de conteúdo. Se o professor não cumpre sua jornada no dia da prova, estará sem trabalhar, se ele vai para a sala dos professores corrigir as provas naquele turno que deveria estar ministrando aula, não é considerado como alguém que está trabalhando, logo, sua avaliação de desempenho será prejudicada.
Professores hoje tem que arrumar as carteiras das salas, fechar janelas, senão sua avaliação de desempenho será prejudicada. Não lembro de ter tido uma disciplina na minha formação ou na formação dos professores que conheço de como arrumar a sala de aula após seu horário de trabalho sem ganhar mais para isto, mas se saires mais cedo vais ser descontado.

Uma certa feita alunos se desentenderam em sala de aula. Adultos por motivos alheios à minha disciplina se desentenderam e intervi, pedindo que se recompusessem, argumentando que o ambiente escolar e a minha classe não era espaço para aquele tipo de comportamento. Eram adultos e como não fui ouvido após duas ou três tentativas disse: Me retiro desta sala, pois não estou aqui para vivenciar este tipo de situação: Dei cinco passos para fora da sala e os alunos se acalmaram e pediram para eu retornar. Logo após, ao final da aula que seguiu, um aluno, que não havia participado diretamente do episódio, veio em minha direção e emocionado me disse: Professor, quero lhe pedir desculpas. Retruquei dizendo: Mas tu não fizeste nada! O aluno então disse que se sentia responsável assim mesmo, envergonhado e que eu não mereceria viver aquilo, pois era um bom professor. Esse aluno morreu dias após num acidente de trânsito.

Porém,  fui chamado pela Escola e questionado por qual motivo "abandonei" a sala de aulas. Surpreso, pois meu ato de 30 segundos dever ter denotado um desperdício de tempo de trabalho, disse: não sou pago para apartar com imposição física, brigas de alunos.

Esse enfraquecimento da figura do professor ocorre hoje com a Paulistanização da educação. A meritocracia burra, que cobra mas antes não oferece condições, leva a que os professores sejam tratados pelas empresas de educação e governos de cunho empresarial na educação, com o cunho meramente econômico, como despesa, como uma mero serviçal. Se o aluno paga, vamos levando e isto é o que importa.

Qual a responsabilidade da escola pelo enfraquecimento da figura do professor?  O que a família tem de responsabilidade por seu filho olhar a escola e o professor com desprezo e desrespeito? Qual o objetivo do professor ser subjugado à condição de empregadinho, e não um pensador, um estudioso que assim como um atleta de ponta precisa treinar e treinar, o professor precisa estudar para estar qualificado a exercer sua profissão. 

Os alunos jovens, crianças, adultos percebem isto. Percebem que como clientes tem nos professores seus empregados, logo os professores são duplamente empregados, dos seus patrões e dos alunos que sem estudar, sem conhecer os conteúdos das disciplinas e do curso, são instados a avaliar estes professores de forma unilateral e estas avaliações são usadas para o que mesmo? São feitas por pessoas competentes?

Nada contra a avaliação de desempenho, mas que seja feita com honestidade e competência, pois afinal, os professores, por óbvio, precisam se desempenhar bem.

Recentemente saiu o ranking das escolas e o Brasil ficou para trás mais uma vez, mesmo que tenha evoluído consideravelmente.

O engraçado de tudo e obviamente não darão o destaque merecido é que os alunos com melhor destaque são alunos de escolas públicas federais, do colégio militar e de aplicação, que devem ler mais de 10 livros por ano, os professores tem carreira, remuneração digna, tempo para formação e estudos, curriculo organizado, orientação pedagógica, supervisão escolar, direção capacitada, etc.
As escolas privadas e caras, onde o professor é empregado duplamente, pelo seu patrão e pelos alunos, com salários vergonhosos, não alcança bom desempenho.

A morte do professor em Minas Gerais e a agressão brutal que sofreu uma pedadoga em Porto Alegre, são apenas sinais de uma desagregação que ocorre fora da escola. Ocorre pela ganância, pelo negócio da educação, ocorre pelo desamor, pelo interesse imediato, pela exploração de uma classe sobre a outra e falo também de uma classe social e não apenas de patrões e empregados, pela humilhação de profissionais que trabalham para ensinar, educar e como todo bem que não se compra em supermercado, lojas caras, farmácia, não é valorizado.

Um dia disse pra meu filho: Não conseguimos comprar nas lojas os sorrisos, abraços sinceros, saúde, amor, solidariedade....esqueci de dizer a ele, mas de hoje não passará: Nas lojas também não compramos educação.

Ou compramos? É caro ou barato? Quem dá mais?

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08/12/2010 12h04 - Atualizado em 08/12/2010 14h25

Estudante de Educação Física foi ouvido nesta quarta-feira (8).

Segundo o delegado, aluno disse que era perseguido pelo professor. 

Pedro TriginelliDo G1 MG
estudante assume morte professorEstudante  foi preso em casa horas após o crime.
(Foto: Pedro Triginelli/G1 MG)
O universitário preso em Belo Horizonte após a morte de um professor confessou o crime em depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira (8). De acordo com o delegado Breno Pardini, Amilton Loyola assumiu ter esfaqueado o professor e disse que era perseguido por ele. A motivação, segundo Pardini, será investigada e diverge da versão de testemunhas de que uma nota baixa recebida pelo aluno seria a causa da agressão.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes tinha 39 anos, era casado e deixou dois filhos, de acordo com informações de amigos. O crime aconteceu na noite desta terça-feira (7) dentro do Instituto Metodista Izabela Hendrix, próximo à Praça da Liberdade, na região centro-sul de Belo Horizonte. Após esfaquear o professor, o aluno fugiu de moto.

Ainda segundo o delegado, o aluno disse em depoimento que entrou com a faca escondida na mochila e que pretendia apenas intimidar o professor. Leia mais


zerohora.com

Geral | 18/11/2010 | 00h34min

Estudante suspeito de agredir pedagoga na Capital se apresenta à polícia

Delegado havia pedido prisão preventiva do jovem de 25 anos na semana passada

O jovem suspeito de agredir a pedagoga Jane Antunes, 57 anos, se apresentou nesta quarta-feira à Polícia Civil, em Porto Alegre. Rafael Soares Ferreira, 25 anos, foi à Área Judiciária, na Avenida Ipiranga, e de lá a polícia o encaminhou ao Presídio Central.
Por volta das 16h30min, o rapaz foi levado ao Instituto Psiquiátrico Forense para fazer um exame, informou a
diretoria do presídio. Leia mais









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