quinta-feira, 7 de abril de 2011

Uma outra tristeza inconcebível

Hoje mais uma notícia, um acontecimento real, verdadeiro, assola minha alma e traz consigo a desesperança e o medo desse desencanto.
Resisto todos os dias a descrer na sociedade e na forma com que essa sociedade se organiza e também resiste a essa organização, sem oferecer uma alternativa que nos alente o coração.
A morte, à semelhança do que ocorre nos Estados Unidos, de várias crianças numa escola, assassinadas por mais um doente no Rio de Janeiro, me faz pensar que tudo de mal, cada vez mais, chega às nossas portas como um tsunami impiedoso, um terremoto monstruoso a abalar e destruir tudo sem escolher o que ou quem.
São vários fatos a se sucederem neste início de ano. Mais denúncias de corrupção em órgãos públicos, criminosos de várias ordens e assassinos soltos, professores diante de mais um governo sem um choque positivo de reajuste salarial, minha mulher sendo amedrontada na saída de sua escola por drogados e pequenos traficantes a lhe pedirem dinheiro e carona, as tragédias no Japão e o capitalismo, a tecnologia nuclear sem resolver nada, ao contrário, apenas assistem sem alternativa o que a natureza proporciona, a derrubada das florestas, a sujeira que produzimos na cidade, a buraqueira nas ruas, o transporte coletivo que é uma droga e se não bastasse, hoje ouvi o Jornalista Macedo criticando a falta de efetivo na Polícia Rodoviária Federal, quando ao longo de décadas a empresa onde trabalha e vários de seus colegas falaram todos os dias, várias vezes ao dia, de forma incansável, que o Estado deve ser mínimo, quando menos Estado melhor e se emprenharam nos programas de demissão voluntárias, na crítica a toda e qualquer coisa produzida pelo serviço e servidores públicos, numa postura nada jornalistica, mas eminentemente ideológica.
São várias coisas e tantas outras que culminam hoje com o assassinato, patrocinado por uma sociedade doente, por governos de mesmice em vários aspectos, que colocaram na mão de um maluco, produzido pela falta de família, de condições de vida, saúde e educação, armas e munições para que concretizasse a loucura e com ela a violência da morte de 11 crianças e o ferimento de outras tantas e a tristeza de milhões e a minha profunda, enorme e insuportável tristeza.
Elegi Tarso, Dilma e não me arrependo, mas também não aceito desculpas, mais espera para que se enfrente as mazelas históricas da nossa sociedade local e nacional.
Diante da corrupção e desvio de verbas do DAER, DETRAN por exemplo, como explicar aos professores estaduais que devem esperar mais para terem um salário decente? O Governo recém começou por isso os professores devem esperar é mera desculpa, ou será que esse governo do Tarso não terá a coragem de priorizar o salário dos Professores e não os do Judiciário e Legislativo, mesmo com maioria na Assembléia? Que esperem mais aqueles que ganham muito mais, basta!
As escolas do Brasil desaparelhadas, professores mal pagos, violência dentro e fora da escola, uma metodologia de ensino que emburrece os alunos e isso a Dilma, o Hadad, não sabem? Não sabem que a progressão continuada é um mal do nosso ensino, patrocinado por universidades públicas e por um pensamento ideológico doentio que fala em inclusão e promove a mais cruel exclusão dos brasileiros de uma vida melhor através do conhecimento, da educação de qualidade? Como crianças pobres conseguem aprender a escrever até com letra cursiva aos seis anos e essa professora que os ensinou a todos a ponto de um pai dizer que a sala de aula da filha dele parecia a de uma escola particular numa das cidades mais violentas do RS e da Grande Porto Alegre, e os seus colegas a criticarem dizendo que as crianças só podem aprender a letra bastão, que não tem condições de aprender mais. A sociedade toda deve ser refém de uma visão ideologizada da educação básica? Por qual motivo se justifica uma educação com aprovação de alunos que não sabem ler e interpretar textos, mas na faculdade, no Colégio Militar essa mesma metodologia de ensino não ser aplicada e essas escolas terem pleno sucesso? Caberia a faculdade de medicina aprovar alunos que não aprenderam o mínimo, mas no ensino fundamental isso ser obrigatório por lei?
Ta certo que o que ocorreu hoje faz com que a gente chute o balde, se desespere, chore, se enraiveça. Mas um impulso devemos todos ter para desabafar e propor uma reflexão, um exercício de que algo pode ser feito e isso começa com o debate e ações concretas e corajosas.
Hoje ainda fui a um restaurante e ao tentar estacionar meu carro na via pública havia uma bela moça guardando a vaga para uma amiga que estava dando a volta na quadra, pois foi o que ela me dissera quando tentei estacionar na preciosa vaga.Segui e encontrei depois de uns cinco minutos uma vaga até melhor, pois optei por não me estressar com a falta de educação da bela.
Ao entrar no restaurante vi a moça que estava realizando algum trabalho na entrada e na saída perguntei se da próxima vez ela guardaria a vaga pra mim, pois eu também era cliente do restaurante. Ela disse simpática – “se tu fores meu amigo....”.
É assim que se mantém uma sociedade que produz ao final assassinos em massa de crianças indefesas, essas pessoas elegem os políticos mais garbosos que seguem com as mesmas desculpas dos seus antecessores, é assim que a desesperança toma conta dos nossos corações, é também assim que nasce a enorme e inconcebível tristeza.

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